Poesias santa-cruzenses
A CHUVA, O RIO
É noite cerrada, escura, chove
E o rio medra, engrossa, cresce
Ó Trairi, meu trairi das águas
Turbulentas, maculadas
E barrentas que em roldão
Ruges roufenho ao longe!
Ruges, estremeces, levas
Em teu leito vida.
E morte!
Ouço-te quedo, calado, mudo
Para melhor te admirar
Sinto frio. E do meu leito ouço
Também o tamborilar das águas
Sobre o meu teto caindo em bátegas
Formam contigo, ó meu trairi
Uma estranha e tétrica sonata:
A sonata do sinistro
E ouvindo-a medito:
Que significam minha ínfimas
Forças comparadas à tamanha
Força natural?
Que significa este teto de barro
Se ele é hidrossolúvel?
Que significam estas paredes,
Aparentemente fortes
Se São extremamente fracas?
Ó meu Trairi de águas turbulentas!
Não significam nada, nada!
São frágeis, vulneráves
Elas irão contigo
No barco da ilusão!
José Matias da Costa Filho
O Menino Que Mentia
Era uma vez um pastor
Que o seu rebanho levava
Para fora da aldeia
Dele o sustento tirava
Para se alimentar
E a vida continuar
Da mentira não largava.
Um dia ele resolveu
Aprontar com os vizinhos
Aos gritos pediu socorro
"O lobo vem a caminho.
Vai comer meus animais
Corram logo, cheguem mais
Para salvar meus bichinhos".
Os vizinhos ao ouvi-lo
Procuraram ajudar
Correram e lá chegando
Ele só quis caçoar,
Disse que era brincadeira
E falou muita besteira
Só queria era brincar.
Vivia sempre e mentindo
Aprontava na aldeia
Inventava que o lobo
Atacava volta e meia
Quando o povo ia lá
Vinha ele caçoar
Numa conversinha feia.
Mas um dia o lobo veio
E atacou pra valer
Ferindo o seu rebanho
Ele procurou correr
Gritava, pedia: - acuda!
Mas não obteve ajuda
Ninguém veio lhe socorrer.
A lição ficou pra ele
Serve para a humanidade
Que seguindo a mentira
Se esquivando da verdade
Ninguém acredita mais
Disto gosta Satanás
O pai de toda maldade.
João Maria de Medeiros
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