Poesias Santa-cruzenses
POEMA PARA AMANDA GURGEL (Gilberto Cardoso)
1
A voz de Amanda se ergueu
parando o Brasil inteiro
todo o povo brasileiro
ouviu e se comoveu
Quando ela apareceu
no Programa do Faustão
falou com convicção
e a audiência aumentou
até Faustão se calou
e ouviu com toda atenção.
2
Quando esteve na Assembleia
do Rio Grande do Norte
com o seu sotaque forte
silenciou a plateia
ninguém ali tinha ideia
do que iria se dar
o video iria alcançar
mais de um milhão de acessos
falando dos retrocessos
na educação potiguar.
3
Todos demos primazia
À voz de Amanda Gurgel
como a uma voz do céu
que o indizível dizia.
Em prosa ou em poesia
jamais vi tanta clareza
ela expressou com certeza
a nossa dor mais profunda
e o fez de forma fecunda
com maestria e beleza.
4
Quando Amanda foi à frente
parlamentares sisudos
quais pedras ficaram mudos
ante o discurso eloquente
A plateia consciente
da verdade absoluta
achou que a melhor conduta
ante aquela mulher brava
era deixar que a palavra
vencesse qualquer disputa.
5
Porém o discurso dela
não limitou-se ao estado
e todo o professorado
se viu espelhado nela.
Deus pôs uma mulher bela
para nos representar
e eu resolvi me calar
prostrei-me com reverência
e deixei na consciência
a sua voz ecoar.
6
Quando a professora Amanda
subiu àquela tribuna
preencheu uma lacuna
vasta, profunda, nefanda
a sua voz forte e branda
tornou nossa dor palpável
de modo admirável
feriu tímpanos de surdos
desnudando absurdos
num discurso inimitável.
7
Amanda, eu emudeci
porém o fiz de bom grado
pois fui bem representado
no discurso que ouvi
nos versos que escrevi
jamais dei tanta expressão
à triste situação
que vivemos todos nós
Você se fez nossa voz
A voz da Educação!
AMÉM (Hugo Tavares Dutra)
Sobre a cabeleira dos rochedos
Entre as plumas dos mandacarus
As estações tecem os seus segredos
E voam leve feito urubus
Sob a gula viril dos carcarás
Ainda não descrita nos cordéis
Numa assembléia de cascavéis
O nordeste esperneia
Os poros regam as plantações
O invisível é posto sobre a mesa
A mente é parca – franca natureza
Sob o calcanhar de tantos pés
A fome só capitula diante do trigo
O trigo é a dádiva do labor
O labor é a alma do homem
E o homem é o pastor
O pastor é a oração
E a oração não divide a terra
Não divide o labor
E nem semeia o trigo
O labor é o trigo dos que tem fome
E o trigo dos que tem fome
Ora! Ora! Deita e rola
Lá na mesa do senhor.
Gilberto Cardoso e Hugo Tavares, grandes poetas santa-cruzenses! Parabéns pelos poemas.